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Bromélias x Dengue

Por 11 de janeiro de 2016 setembro 26th, 2019 2 Comentários

Diante da epidemia de dengue no país, é importante a veiculação de informações científicas sobre a associação entre as bromélias e a proliferação de mosquitos transmissores de doenças, em especial o Aedes aegypt.

O Primavera Garden realizou um levantamento sobre as principais informações para esclarecer definitivamente como se dá essa associação.

1. O mosquito Aedes aegyptivetor da Dengue –  é um inseto exótico, originário da África, que não existe no Brasil de forma silvestre, ou seja, em nossa natureza. Introduzidos em nosso país, eles se tornaram insetos urbanos, vivendo apenas nas cidades, sendo raríssimos os registros da ocorrência de larvas de Aedes aegypti na Natureza, em particular nas Bromélias, e quase sempre esta ocorrência pode ser associada a alguma forma de desequilíbrio ambiental.

2. O Aedes aegypti necessita desovar em águas razoavelmente limpas, sem material orgânico em decomposição, e preferivelmente de pH alcalino, condições estas dificilmente encontradas em depósitos naturais de água das chuvas, e em particular no interior das bromélias;

3. Existem 3,2 mil espécies de bromélias, com cerca de 43% nativas do Brasil. Algumas delas não acumulam água. Mas mesmo as que retém o líquido, o mesmo não constitui ambiente favorável para o Aedes aegypti, já que o que fica no tanque formado pelas folhas é um suco biológico que não é um ambiente favorável para a reprodução do inseto.

4. O tanque que algumas bromélias desenvolvem no imbricamento de suas folhas não é uma poça de água, e sim um poço de vida. A diferença é que uma poça d’água (pratinhos, pneus, garrafas e plásticos), ainda que possam abrigar ocasionalmente algumas formas de vida, é uma água parada, um ambiente inerte, completamente diferente do tanque das bromélias, que são uma estrutura vital da planta e, assim como os intestinos dos animais, abriga muitas formas de vida das quais ela depende para se nutrir e sobreviver.

5. A poça d’água é formada pelo armazenamento de água ao acaso. Nela a água da chuva passa a ser rapidamente colonizada pelos organismos menos especializados. Em biologia, chama-se isso Eutroficação. A partir de alguns poucos nutrientes, surgem determinadas algas e bactérias (poucas espécies, alguma quanitdade). Em poucos dias, aparecem as larvas dos mosquitos, entre eles, o Aedes aegypti. Essa fase dura pouco. A água se turvará, se não chover, ou secará.

6. Um estudo realizado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC) aponta que, em locais de interface entre o ambiente urbano e silvestre – como parques e encostas de morros –, as bromélias não possuem um papel importante na proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor do vírus da dengue. Durante um ano, 156 bromélias situadas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro foram monitoradas, recobrindo dez espécies. O resultado do estudo aponta para o baixo índice de presença das formas imaturas do Aedes aegypti, gerando indícios que redirecionam o trabalho de prevenção.

Apenas 0,07% e 0,18% de um total de 2.816 formas imaturas de mosquitos coletadas nas bromélias durante o período de um ano correspondiam ao Aedes aegypt e Aedes albopictus, sugerindo que as bromélias não constituem um problema epidemiológico como foco de propagação ou persistência desses vetores.

7. A constatação do estudo de que as espécies encontradas em maior número nas bromélias monitoradas não oferecem perigo à saúde humana foi outro dado relevante. “Verificamos a prevalência de espécies de Culex com importância epidemiológica nula e que sugam animais de sangue frio. A sua presença em grande número nas bromélias indica que a invasão do vetor da dengue neste espaço não deve ser simples, já que ele teria que competir com insetos mais adaptados àquele ambiente”, avalia o entomólogo Ricardo Lourenço, orientador do estudo. “Esta pesquisa indica que as larvas de Aedes encontradas nas bromélias não devem ser supervalorizadas no trabalho de prevenção e reforça que os esforços devem ser voltados para os focos principais, como caixas d’águas destampadas ou mal tampadas, tonéis, piscinas  e outros depósitos com água parada”, adverte.

8. Tal fato se deve à necessidade que este inseto tem de desovar apenas em águas razoavelmente limpas, sem material orgânico em decomposição e preferivelmente de pH alcalino, condições estas dificilmente encontradas em depósitos naturais de água das chuvas, e em particular no interior das bromélias.

9. É verdade que muitas bromélias acumulam água entre suas folhas, nas quais pode ocorrer o desenvolvimento de mosquitos. Mas o mosquito que normalmente procria em bromélias é do gênero Culex, que nada tem a ver com a dengue, e mesmo a desova deste outro mosquito, ou eventuais desovas de Aedes aegypti em bromélias mantidas em casa podem ser evitadas com facilidade.

“A destruição indiscriminada de bromélias vem sendo utilizada como uma suposta forma de prevenção à dengue, pois tem sido divulgada uma idéia de que as bromélias são importantes focos do mosquito. Estamos justamente provando o contrário e seria importante que as práticas de prevenção acompanhem as descobertas da ciência. A queima de encostas com bromélias para fins de prevenção, portanto, não é uma prática eficaz e desfoca a ação de controle que deveria se concentrar nos focos comprovadamente geradores de mosquitos”, conclui Ricardo Lourenço.

COMO PREVENIR

Nem todas as bromélias possuem um formato que lhes permita acumular água entre as folhas. As que o fazem, são chamadas de bromélias tanque dependentes.

A maioria das bromélias do gênero Tillandsia, e em particular as de folhas “prateadas”, são totalmente desprovidas de tanques, e portanto não podem servir de criadouro para nenhum tipo de mosquito.

Tillandsia_oaxacana1

Tillandsia oaxacana

Tillandsia-cyanea

Tillandsia cyanea

Estas bromélias possuem uma enorme capacidade de absorver do ar toda a umidade e nutrientes de que precisa, podendo sobreviver sem nenhum tipo de substrato ou adubação.

Grande parte das bromélias dos gêneros Vriesea e Guzmania, muito difundidas atualmente por suas vistosas e duráveis inflorescências, embora dotadas de tanques, podem ter os mesmos mantidos sem água, bastando para isso que o substrato do vaso seja molhado uma vez por semana, e que a planta seja mantida abrigada das chuvas.

Vriesea casinata

Vriesea casinata

Vriesea ospinae

Vriesea ospinae

Guzmania Ligulata

Guzmania Ligulata

Guzmania sanguinea

Guzmania sanguinea

Se não existir o acumulo de água nos tanques, não existe procriação de mosquitos.

A maioria das bromélias dos gêneros Aechmea, Neoregelia, Billbergia, dentre outros, são tanque dependentes, e portanto precisam de água acumulada entre suas folhas. Na natureza esta água é normalmente rica em material orgânico e, portanto, imprópria para o desenvolvimento do Aedes aegypti.

Aechmea chantinii

Aechmea chantinii

Aechmea fasciata

Aechmea fasciata

Billbergia porteana

Billbergia porteana

Neoregelia

Neoregelia

Neoregelia

Neoregelia

DICAS DE PREVENÇÃO

Existem cuidados simples que podem evitar que estas plantas em cultivo se tornem criadouros de qualquer tipo de mosquito, sem que tenhamos que eliminar as plantas, quer elas estejam em vasos, árvores ou jardins.

  1. Dissolver uma colher de sopa de água sanitária (hipoclorito de sódio) em um litro de água e colocar esta solução no tanque das bromélias semanalmente, elimina a criação de mosquitos, matando inclusive larvas já existentes nas plantas. Procure utilizar água sanitária de boa qualidade, sem perfume ou outro aditivo qualquer, e não exagere na dosagem para não matar suas plantas. Eventualmente a aplicação desta solução de hipoclorito de sódio pode servir como indutor floral, mas a planta solta brotos laterais normalmente.
  2. Outra solução que pode ser utilizada consiste em ferver cem gramas de fumo de corda em um litro de água durante dez minutos. Coar e completar novamente um litro. Quando for utilizar, dissolver 50 ml desta solução por litro de água e completar o tanque das bromélias uma vez por semana. Esta solução além de combater os mosquitos, tem bom resultado também no controle de pulgões e cochinilhas.
  3. O cheiro da borra de café (pó já utilizado para o preparo da bebida) também espanta os mosquitos evitando que os mesmos desovem nas bromélias. Misture duas colheres de sopa de borra em um litro de água e complete o tanque de suas bromélias duas vezes por semana. Uma vez por mês (ou antes se necessário) esvazie e lave as bromélias para evitar que o acumulo de borra possa sufocar suas plantas.

 

Fontes:

http://www.fiocruz.br/ioc/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=182&sid=32

http://www.cpo.org.br/_CpoBrom%C3%A9liasDengue.html

http://www.cpo.org.br/_CpoBrom%C3%A9liasDengue.html

http://www.cpo.org.br/_CpoBrom%C3%A9liasDengue.html

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