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Jardim Etnobotânico de Oaxaca

Por 19 de junho de 2015 setembro 26th, 2019 Sem comentários
Nossa Paisagista Rita Frizzo nos brinda com a história e imagens do magnífico Jardim Etnobotânico de Oaxaca. As  fotos foram feitas durante sua última viagem – desta vez ao México – , na qual o trabalho não poderia ter ficado de fora.

O Jardim Etnobotânico de Oaxaca, no México,  reúne centenas de espécies de plantas, todas elas originárias de diferentes regiões  do  Estado de Oaxaca. A vegetação ali reunida representa espécies tanto de climas áridos como dos úmidos, das  zonas tropicais  baixas e de áreas montanhosas temperadas e frias.

O Jardim representa, assim,  a  grande  diversidade  de climas, formações  geológicas e tipos de vegetação que caracterizam essa região mexicana, procurando mostrar as relações entre a vegetação e as culturas do país.

Oaxaca não é somente um local que reúne o maior número de grupos étnicos e onde se falam mais línguas indígenas no país: é também o estado onde existem mais espécies de plantas e animais. Muitas destas espécies serviram de inspiração estética e estímulo intelectual as pessoas de Oaxaca ao longo de doze mil anos, além de servirem como comida, lenha, fibras, remédios, condimentos e colorantes.

O local foi batizado de Jardim Etnobotânico porque as plantas escolhidas para estarem ali têm um significado cultural.

As  formas, cores e texturas das plantas que crescem no Jardim  contrastam  harmonicamente com  a arquitetura do convento de Santo Domingo, construído com pedras verdes. A água que flui ao longo de um canal guia os visitantes por todo o Jardim.

Os  professores Francisco Toledo e Luis Zárate, artistas plásticos oaxaquenhos, projetaram o desenho  do Jardim.

“Patio del Huaje” e a  fonte “La Sangre de Mitla” são  obra do  Maestro Toledo.

A fonte  “Espejo de Cuanana” e as esculturas que modificam o nível e a direção  da água ao  longo do  canal são  do  Professor Zárate.

O  Jardim  mostra, também, obras em  madeira e pedra dos artistas Jorge DuBon, José Villalobos e Jorge Yázpik.

Uma  seção  do  Jardim foi dedicada às  espécies que crescem em  Guilá Naquitz, gruta próxima a Mitla onde arqueólogos encontraram restos de plantas usadas pelos antigos caçadores e coletores. Entre elas apareceram sementes  de abóbora, cultivadas há dez mil anos e consideradas o indício mais antigo da prática da agricultura conhecidas até  agora em  toda América. Na  mesma gruta foram encontrados os restos mais antigos de milho reportados até hoje, com aproximadamente 7.000 anos de idade.

O  Jardim  forma parte do  Centro Cultural Santo Domingo, que ocupa o  antigo convento construído nos séculos XVI e XVII para os frades dominicanos.

O terreno do Jardim  foi parte da antiga horta do convento. Este espaço serviu como quartel de meados do século  XIX até  1994 e esteve  ocupado por dormitórios, estacionamentos, quadras  esportivas e outras instalações militares. Na época colonial o espaço serviu a outros usos ligados à vida do convento, como se pode apreciar nos vestígios do interior do Jardim: canais de irrigação e drenagem, tanques, fornos de cal, tanques de lavar roupa, um forno de cerâmica e  uma calçada de pedra para as carretas que abasteciam  o local com alimento e combustível.

O JARDIM EM NÚMEROS

• Superfície total do Jardim: 2,32 hectares

• Área plantada: 2,10 hectares

• Total de exemplares coletados:  7.330

• Total de espécies coletadas: 915 (11% da flora do Estado), as quais representam 474 gêneros de 140 famílias botânicas

• Comunidades e Bairros que trouxeram plantas, pedras e terra para o Jardim: mais de 100

SERVIÇOS DISPONÍVEIS

• Rampas e pontes para acesso de deficientes, banheiros com rampas e instalações especiais para deficientes;

• Passeios guiados em espanhol abertos ao público três vezes por dia

• Visitas guiadas para grupos escolares e universitários, mediante agendamento prévio

• Biblioteca aberta ao público especializada em ciências naturais, etnobiologia e conservação ambiental

• Conferências, cursos e oficinas abertas ao público

• Assesoria para iniciativas comunitárias de conservação de plantas nativas

• Apoios educativos em ciências naturais para escolas de todos os níveis

• Doações de plantas criadas no Jardim para instituições educativas, parques urbanos e espaços públicos

• Aluguel de espaços para eventos sociais e culturais

ATRAÇÕES EXTRAS

• As formas, cores e texturas das plantas que crescem no jardim contrastam harmonicamente com a Arquitetura do Convento de Santo Domingo, construído com pedras verdes. A água que flui ao longo de um canal guia os visitantes por todo o Jardim

• Foram plantadas no jardim várias Cicas, plantas que surgiram há mais de 230 milhões de anos e floresceram durante o período jurássico, a chamada Era dos Dinossauros. Oaxaca conta com mais de 20 espécies de Cicas, a maioria delas endêmicas. Uma das Cicas do jardim, que pertence à espécia, foi colhida pelo Professor Casiano Conzatti, que a trasplantou em sua casa. Cinquenta anos depois, seus netos a doaram ao Jardim.

• Talvez a planta que chama mais atenção dos visitantes seja uma erva do bispo, da Echinocactus platyacanthus, que pesa mais de 5 toneladas e cresceu durante vários séculos. É possível que já tenha alcançado 1.000 anos de idade. Ela foi resgatada de um desnível próximo a uma estradas, onde ela certamente seria destruída por algum deslizamento.

• O Jardim conta com o sistema de captação de água da chuva mais volumoso do estado de Oaxaca, com uma capacidade de 1.300,000 litros. A água da chuva armazenada na cisterna alimenta o sistema de irrigação, os canais e os lagos ornamentais, além dos banheiros do centro cultural.

Texto: por Rita Frizzo

ENDEREÇO
Jardín Etnobotánico de Oaxaca
Reforma s/n esquina Constitución, A.P. 367. Centro, Oaxaca, Oax.
Oaxaca de Juárez
Oaxaca 68000 Mexico

URL: www.jardinoaxaca.org